- A cortina tá fechada, você viu?
- Péra então. Deixa eu ir lá arrumar.
- Isso... Ficou ótimo! Agora volta pro sofá, anda!
Beijos e amassos se seguem...
-Pára, pára! O vento ta fechando a cortina! Putz, logo agora que eu ia dar um 360º...
- Você ia dar era outra coisa, amor... Mas, tudo bem. Calma! Vou dar um jeito nisso!
- Prende com aquela buchinha de cabelo mesmo! Ou então usa a piranha!
- Não, não... Sem outra mulher na história. Aí você me quebra! Vai esse barbante aqui que eu achei na gaveta.
- Tá, tá, tá...Usa o que você quiser pra prender a cortina. Contanto que os vizinhos possam nos ver com clareza...
- Ah, vai, nem tanta clareza assim, né... Eu tô meio gordinho... Fora que não vou a praia há muito tempo. As pessoas gostam de ver aqueles morenões, grandes e parrudos!
- É porque eles não viram o que você é capaz de fazer...
- Huumm... faz sentido. Acho melhor então a gente ficar em pé, apoiados no parapeito da janela. O que você acha?? Dá para virar a sua cabeça aqui!
- Huumm... Vou ter a maior onda com o sangue todo concentrado... Gostei da sua ousadia, mozão!
- Vem, vem, vem... Isso, isso... Segura aqui... Aperta ali... Morde gostoso, morde... Levanta um pouquinho a perna, vai... Ai, que tesão em te ver pendurada na janela... Isso, geme... Que delícia! Levanta mais um pouquinho a perna agora... Ainda não to conseguindo chegar lá... Fica na ponta do pé, vai... Deixa que eu te seguro e...
- AAAAAAAaaaaaaaahhhhhhh....
Enquanto isso, no apartamento da frente...
- Que barulho foi esse?
- Sei lá. Parece que assaltaram alguém aí na rua.
- Mas teve um estrondo alto...
- Devem ter matado.
- Humm... Vamos aproveitar a confusão que vai se formar aí na calçada então! Abre a cortina, Bartô.
- Pra já, gostosa! Acho até que vou acender a luz para os vizinhos verem essa posição que a gente inventou.
- Sensacional, amor! Agora volta pro sofá, vem...
terça-feira, 16 de junho de 2009
Vizinhança
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Vanessa Oliveira
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12:06
1 tomaram mais um café
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Amizade
- Eu lembro do momento em que eu saí do ventre da minha mãe.
- Sério? Tá de sacanagem!
- Sério. Todo mundo tem esse registro, só que ninguém puxa. Eu puxei essa memória na terapia.
- Então tá.
- Então ta? É só isso que você tem pra me falar? Cara, qualquer outra pessoa me chamaria de louca por conta disso! Onde já se viu se lembrar do momento do parto? Você é doida mesmo...
Gargalhadas.
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Vanessa Oliveira
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19:25
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tomaram mais um café
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Enfim, sós!
Dia desses fui almoçar em um horário desses que ninguém almoça. Assim, sem um lugar definido, companhia escolhida e muito menos com um desejo gastronômico específico a ser saciado. Apenas com um livro na bolsa.
E foi dessa maneira que parei em um pub bem vazio. Aliás, o que não estava vazio naquela altura do campeonato? Tudo já estava na ressaca do “momento meio-dia”, sabe? E eu indo almoçar! Pois bem...
“Boa tarde! Mesa para uma pessoa só?”. Foi o que a mulher falou na entrada. Só que falou tão baixinho que eu a fiz repetir essa frase umas cinco vezes até entender a pergunta. Baixinho mesmo! Quase sussurrando. Se bobear, estava com vergonha de dizer: “É isso mesmo? Sozinha? Credo!”. Afinal, o que não faltam por aí são pessoas com problemas sérios em praticar esse ritual no [alone mode]. E que acham a coisa mais estranha alguém conseguir fazer isso. Vai ver ela era uma delas. “Ai, mais uma solitária nessa vida...”, suspiro. Esse seria o pensamento daquela moça de pouca voz. Ah sim, seguido de um suspiro. Esses discursos sempre terminam assim.
“Isso! É pra uma pessoa só!”. Ah, e o meu livro também, conta? Pensei com um tom de revolta, mas achei melhor não entrar nessa questão. Preferi segui-la bar adentro, conforme havia me pedido. Enfim várias mesas vazias e ela passando batido por todas! Detalhe: pub vazio e mesas, de no mínimo, quatro lugares. Por que ela não parava? Eu só pensava: “Ela está querendo me esconder???” . Pensei na hora e ainda acho que foi isso! Sério, se eu não tivesse dito “Pare!”, acho que ela tinha me carregado pra comer na cozinha! Isso que dá acompanhar uma mulher que fala pra dentro.
Ok, fim da agonia da escolha do lugar, sentei e até que fui atendida rapidamente. Fiquei lá: eu, o livro, e o queijo que veio em seguida em cima da batata. Estava, realmente, tudo muito bom. A única “preocupação” era dividir a atenção entre o livro e a comida. Bobagem pura... Coisa pequena diante de um momento só meu! Já estava feliz da vida, quieta ali e esquecida do mundo.
E não era só eu que estava assim! Em paralelo um casal vivia o momento deles, na mesa do lado. Um de frente para o outro sem dizer nada. Sorrisos e olhares, mais risos e olhares... Típico início de romance. Olhares... Até que um garçom começa: “Mais um Alexander?”. “ Não, obrigado, senão vou ser carregado pra casa”, corta o homem brincando. Coitado, mal sabia ele que o futuro era negro após esse comentário. O garçom disparou a falar sobre beber, dirigir, táxi, leis, o que é permitido, o que não é permitido... E isso durou um bom tempo! O casal mudo tentando sustentar os olhares e o garçom falante.
Resultado: os dois decidiram ir embora, me deixando sozinha com o tal do garçom participativo. Desespero. “Agora o carente vem atrás de mim!”. Tratei então de olhar fixamente para o livro, quase escondendo meu rosto entre as páginas, para não dar nem assunto. E por um segundo até achei que ele ia à minha mesa. Olhou, pensou no que poderia falar (tenho certeza), mas acabou desistindo. Vi o pé dando meia volta e fique tranqüila. Ganhei! E pude acabar o capítulo em paz. Eu, o livro e o queijo.
Vou te dizer... Povo “empata f...” esse do pub... Agora, só volto lá acompanhada!
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Vanessa Oliveira
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terça-feira, 5 de agosto de 2008
[Sob Controle]
Pshhiiiu... Não faça muito barulho quando estiver lendo esse texto. As palavras estão sob efeito de hipnose e não devem ser acordadas. Depois de um bom tempo consegui colocá-las, praticamente, passíveis ao meu comando. Por favor, não atrapalhe.
Tá achando que eu estou brincando?? Nada... Elas andam fora do meu controle! Não reparou que andei sumida desse blog? Então... Elas tomaram vida própria! Quer dizer, vida sempre tiveram. E como! A diferença é que agora elas saem quando bem entendem e pronto acabou. Sendo assim, resolveram largar crônicas, papel ou computador. O foco delas passou a ser outro: as pessoas. Dessas que andam, se movimentam e também falam! Aff... Esse mundo está muito moderno mesmo. Onde já se viu? Palavras que escolhem seus momentos... Só me faltava essa!
E essa mudança toda foi assim, do dia para a noite. Sem aviso prévio ou recado deixado em algum post-it. Quando eu dei conta, lá estavam elas... fora da minha boca! E eu com cara de tacho! Sem nem poder recolhê-las! Porque tem isso, né... Palavras se espaaaaaaaaaalham. Como moedinhas que caem rolando pelo chão, sumindo em tudo quanto é buraco. Elas vão. É a única certeza. Agora, até aonde? Nunca se sabe... Vão rolando, rolando... Fazem e acontecem pelas ruas! E às vezes se escondem em cantinhos tão estranhos e inusitados que acabam se perdendo no escuro. Ou no silêncio. Danadas essas palavras...
E nem adiante eu brigar muito. Palavras não escutam. Apenas saem. Eu é que me vire com as conseqüências depois! Já cheguei até ao ponto de colocar meu coração para ter um papo cabeça com o raciocínio. Simples esperança deles controlarem as fugitivas. Doce ilusão... Elas andam tão rebeldes e determinadas que não duvido nada de estarem armando, inclusive, um motim. Meu eu amordaçado sendo jogado ao mar. Imensidão.
Agora, o pior é que eu ainda consigo entender... Elas passaram a ter desejo de realidade. Palavras em busca de liberdade e autonomia de ser, ao invés do significado. Nada de posses ou prisões... Elas só querem abraçar o mundo, independente de suas linhas tortas! Passear, sem ter que dar satisfação ou se sentirem pesadas com responsabilidades. Brincar de subir em vírgulas, descer em espaços e dar volta em interrogações sem causar furos nas páginas. Sem repressões. Jovens...
Ah, minhas palavras... Tão novas e ansiosas... Fazem barulho apenas pela vontade de serem leves. Palavras que pretendem ser as próprias palavras. Só isso.
Ih! Caramba! Acor
m
.
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sexta-feira, 13 de junho de 2008
Santo Antônio
Casal voltando pra casa e o homem puxa assunto:
- Amanhã, a gente tem que pegar o pão de Santo Antônio, hein?
- Ah, vc acha?
- Olha, antes da gente casar a gente foi lá e pegou o pão, não lembra?
- Eu estrangulei o santo isso sim! Enquanto a gente não casasse, eu não iria aliviar a parte dele.
- Então! Juntamos o pão com farinha ainda! E cá estamos nós, juntos!
- É verdade! Ok, a gente pega o pão, mas dessa vez eu não vou estrangular ele.
- Tudo bem, acho que ele não vai ligar em não ser estrangulado dessa vez...
No caminho para casa, eles ainda passam pela porta de uma igreja. No chão, tinha um Santo Antônio sem cabeça. Uma outra terrorista romântica parece ter passado por ali. Santo sofre...
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Vanessa Oliveira
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15:44
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segunda-feira, 2 de junho de 2008
Pontos de distração
Foi à conclusão que eu cheguei logo assim que uma mulher, com um cartaz sobre gravatas em seu corpo se aproximou dela e disparou: “Toma esse papel pra você aprender a dar nó de gravata! É, eu sei... Eu não devia abordar as pessoas, mas você estava olhando tanto pra lá que eu resolvi vir aqui. Eu senti que você quer aprender sobre gravatas! Olha, aqui tem todas as instruções! Depois você passa lá na loja pra comprar uma e treinar!”. E na empolgação até eu ganhei o papel com os nós passo a passo. Hã! Gravata??
Em seguida, dei de cara com uma criança em cima da minha perna. Ela era tão pequenininha que poderia passar debaixo das minhas pernas despercebida. “Pois bem”, pensei comigo, “ela vai pedir dinheiro para a mãe que está em algum lugar perto daqui”. E já estava me revoltando com essa situação quando ela tirou a mão de trás das costas: “Toma!”. “Hein? O que é isso?”. “Um papel pra você”. Na folha: “Cristina Paz – jogo búzios, tarô e runas. Resolvo os seus problemas”. Ah, sim, Cristina Paz devia ser a mãe dela. “Ah, você quer me dar o papel”. Ela então sorri e sai de perto. Quando observo, vejo que ela sai pegando mais papéis daquele pelo chão. Ah tá, agora sim, foi apenas um lixo de presente... E o dia prossegue.
Policias passam, morrendo de rir. Estão tranqüilos e parecem passear, não trabalhar. Cada um deles com pedaços de plástico bem finos e azuis dentro dos bolsos das calças. Algemas de plástico? Na verdade, parecia mais aquelas pulseirinhas VIPs de festas, sabe?
Uma mulher com uma bolsa enorme em formato de peixe colorido sobe a rua. Está com pressa e o peixe coitado, balança como se estivesse em um mar revolto.
Um cara abre sua barraquinha do Santo Expedito. Na frente, um cartaz gigantesco com a foto dele com cara de sério e a imagem do santo. Do lado de fora, a própria imagem. Maior do que eu.
Ali, vende orações, livrinhos e a mensagem do Santo. Seria pagamento de promessa? Eu hein, foi-se o tempo em que as pessoas apenas subiam as escadas de uma igreja...
Um rapaz passa e entrega um papel: “Cristina Paz – jogo búzios, tarô e runas. Resolvo os seus problemas”. Ai, ai, ai, tem gente querendo resolver MESMO os meus problemas. Até que seria interessante, né? Você paga uma pessoa e a vida fica bela! Será que ela tem os números da Sena? Comecei a pensar melhor sobre o assunto...
Um homem com o cartaz no corpo “Vendo Ouro” desce a rua conversando com o amigo que anda com o cartaz “Desbloqueio celulares”. Estavam falando sobre uma garota bonita que conheceram no bar, na noite passada.
Os policiais voltam. No maior papo-furado e cheio de sacolas! Comida, bebida... Eu ainda acho que eles estão indo para alguma festa... Vai ver, nem são policiais e estão indo para uma festa à fantasia. Ei! Mas ainda nem era meio-dia!
Um “Sombra” passa atrás de duas meninas, que nem deram conta de que estavam sendo seguidas. E melhor: imitadas! Sombra, aquele tipo de artista que pinta a cara de branco e sai repetindo os gestos das pessoas, conhece?
Uma mulher passa e me entrega um papel: “Cristina Paz – jogo búzios, tarô e runas. Resolvo os seus problemas”. Caraca! Será que era a própria? Vou te dizer, a dona tá comandando a região...
Um homem vendendo bichos de pelúcias muito, mas muito grandes, passa. Um urso com o olho meio torto e um cachorro coma língua de fora. Pareciam estar cansados. Já o homem estava animadão andando pra cima e pra baixo, segurando os animais. Isso vende? Por um segundo eu resisto à tentação de fazer essa pergunta.
Índios tocam flautas. Até aí normal. O pulo do gato, ou quer dizer, do pajé, é que eles estavam vestidos com adereços de carnaval da Sapucaí! De esplendor e tudo!!Genial.
Era tanta gente ganhando dinheiro de uma maneira inesperada que eu resolvi escrever. Não que eu fosse escrever cartas em troca de moedas, como a Fernanda Montenegro em A Central do Brasil. Não, não... Era só um recurso para eu não esquecer daquelas pessoas. Então abaixei a cabeça e me concentrei na folha. Nisso, a minha madrinha começou: “Vamos dar um volta?”. “Já vou”. Estava muito entretida para parar. “Vaneeeessa...”. “Já vou!”. Passa dois minutos: “Vaneeeessa, vamos sair daqui, hein? Hein?”. Nisso, eu comecei a sentir um tom meio apreensivo dela, que agora falava muito baixo. Estranho... Resolvi então levantar a cabeça pra ver o que ela queria. Tchanam!!! Ao meu redor muita gente!! A maioria homens!! “Ow! De onde surgiu esse povo?”. E ao olhar em volta, vejo um homem com um quadro no meio da rua. Escrevia números, tinha uma viseira e usava um microfone. Falava algo como raiz quadrada, soma aqui, tira esse resultado... Sério... O cara estava dando aula de matemática!!! Com direto a responder pergunta e tudo! Incrível. Por alguns minutos até me interessei em descobrir o valor de X de uma questão. No entanto, o fato de estar no meio da roda me fez seguir os conselhos da minha madrinha e sair dali.
Foi quando encontro a pessoa que estávamos esperando. “Vanessa, aonde você estava! Já tinha rodado isso tudo atrás de vocês!”. É... Era uma longa história... Resolvi deixar pra contar depois. Melhor...
E os dias se passaram. Até que um dia, minha madrinha acha na bolsa o papel da Dona Cristina e faz a seguinte observação: “Viu onde era a rua onde ela ficava?”. “Não”. “Adivinha! Rua Visconde do Rio Branco”. "Putz! Tá de zoação?", foi a única coisa que eu consegui responder. Afinal, é o nome da cidade de Minas Gerais onde eu nasci! Meu Deus! Cristina Paz, Visconde do Rio Branco, todos os papéis parando na minha mão... E foi aí que eu percebi tudo... Estava ali na minha cara o tempo todo... Era um sinal! Eu sabia... E se bobear, todas as pessoas da Uruguaiana sabiam! Eu deveria ter ido na Cristina Paz... Ô distração...
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Ps: Esse texto foi uma resposta à crônica de uma amiga: Fernanda Martins. Para quem se interessar em ler: http://poroutrolado.wordpress.com/.
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Vanessa Oliveira
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terça-feira, 8 de abril de 2008
A verdade
Putz! Meu mundo caiu! Tá, está se perguntando se eu endoidei! Tipo, o que tem de errado com o nome de uma das principais ruas da Tijuca? Pois bem... Explico: Eu sempre achei que aquela rua era da Dona Marise! E note: Marise com “s”!! Não conhece ela? Nem eu! E nem por isso deixava de respeitar essa senhora tão famosa a ponto de virar o nome de uma rua! Meu Deus... Que choque gramatical! A vida inteira eu não só indiquei a rua da Dona Marise para as outras pessoas, como também passei por lá diversas vezes (devia estar sempre com os olhos fechados, né? Fico pensando nisso agora).
E aí, do nada, descubro que aquela verdade era somente uma criação da minha cabeça. Já passou por isso? Descobrir do dia pra noite que aquilo, que sempre foi real pra você, era uma invenção? Sensação horrível, vai por mim. No mínimo, você deve ter passado por isso quando descobriu que o Papai Noel era seu tio fantasiado de vermelho com algodão na cara.
Pôxa, fiquei um pouco frustrada com a Dona Marise... Até conseguia imaginar as feições dela! Meio gordinha, rosto redondo, de óculos, sorriso estampado na cara... Engraçado, pensando friamente, parece até com uma Marise que eu conheço... Será que essa rua era dela? Caceta! É Mariz!!!! Tenho que me acostumar com essa idéia... Mas afinal, o que é Mariz, não? Coisinha esquisita... Antes fosse Marise mesmo...
É... É isso que dá: o povo não fala direito e eu é quem faço a confusão! Está lá escrito “Eva e Adão”, e nego lê “É veadão!”. Ou então ao invés de dizer que aquele é um homem de pouca fé, fala que ele vai “pôr café”. E a “vez passada”? Vira uma “vespa assada”, fácil, fácil! Eca... Nem vem... Não estou precisando limpar os ouvidos ou comprar um aparelho de audição. As pessoas falam rápido e, no final das contas, criam uma segunda língua! Dão origem aos chamados cacófatos! Taí... A razão de tudo: idioma! Só não vê quem não quer! A culpa dessa situação é do Português! Ora, ora... Esse seu Manuel...
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Vanessa Oliveira
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